Meu primeiro trabalho inteiramente "meu" na Escola Integrada, onde tenho estagiado desde o começo do mês. Ele será exposto na semana do conhecimento da UFMG.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Maria Antonieta (Filmes e Documentário) [Laura Ribeiro] #2 (Resumo)
Em minha segunda postagem, lembro que, após trabalhar com os livros, volto-me para produções cinematográficas e um documentário.Agora aproveito a data de postagem para passar minhas impressões.
O primeiro filme trata de um clássico romântico de 1938, produzido por W. S. Van Dyke e revela uma Maria Antonieta apaixonada, completamente influenciável e vítima das atrocidades do Conde D'Orleans. Maria mergulha na vida de excessos por vontade de superar DuBarry. Esforça-se sempre para ser agradável e envolver todos ao seu redor, suportando um marido avesso a si. Já diante de seus últimos dias, transforma-se em nome dos filhos, representando tenro papel materno. Seu último relance é ainda Axel Fersen, seu grande e verdadeiro amor.
No segundo filme Maria Antonieta é fútil mas isso tudo se deve ao fato de não possuir um casamento consumado e não conseguir conquistar Luís XVI. Disso surge a necessidade de preencher o vazio dentro de si e nada melhor do que compras, festas e bebidas para afungentar a melancolia infinita que a domina. Aqui Maria Antonieta muda drasticamente com o nascimento de sua primeira filha, optando por um naturalismo. É mais culta e centrada, chegando a ler passagens de Rousseau e até a escrever discursos para seu marido!
O documentário reproduz uma Maria Antonieta com uma capacidade de adequar-se às mais diversas situações. É revelada como uma mulher enérgica, o completo avesso do marido tão inseguro. Sua estrada rumo à revolução francesa é floreada de uma inocência impressionante. Afirma-se que de nada sabia da condição do povo parisiense, mas talvez o mais interessante nesse documentário seja o fato de que ela compreendeu por si mesma os erros cometidos no passado, crescendo em uma personalidade admirável.
Mais uma vez, quem tiver interesse em continuar a leitura sobre essas peças, é só clicar no botão correspondente:
>> Essa é a mesma postagem divulgada no blog do Projetos A2.
Maria Antonieta (Filmes e Documentário) [Laura Ribeiro] #2 (PBS)
Finalmente chego ao terceiro elemento dessa quinzena: O documentário criado pela PBS sobre Maria Antonieta. Por mais que este estivesse agrupado com os outros dois filmes, é óbvio que sua atmosfera é completamente destoante dos demais. Seu caráter passa muito mais pelo informativo do que pelo entretenimento, importando-se mais com a qualidade do que é contado do que pela pompa apresentada.
Esse documentário foi preparado pela PBS (e você pode conferir muitas informações interessantes pelo site oficial: http://www.pbs.org/marieantoinette ). PBS ou Public Broadcasting Service é um canal aberto de caráter educativo-cultural nos Estados Unidos. Neste documentário vemos a atenção do diretor em lembrar-nos das multifacetas de Maria Antonieta, de como ela foi moldada de acordo com o interesse da época. O mais interessante desse documentário (além das falas de estudiosos) está no fato de terem usado um atriz para Maria Antonieta que, na verdade, não revela seu rosto diretamente! Talvez seja dificil encontrar alguém nos dias de hoje que traga consigo os traços tão reais da jovem ausburguesa, mas a escolha é de fato curiosa.
A narrativa começa de trás para frente aqui. Maria Antonieta, já em tribunal, responde como viúva do Rei da França. É posta como inocente no que se refere à situação do povo francês naquela época, ou seja, é impossível que tenha pronunciado a já batida frase "Se não têm pão, que comam brioches!". Ela era uma humana comum na pior das circunstâncias, nas vésperas de uma revolução popular.
Maria Antonieta era 15° filha de Maria Teresa. Era uma criança amável, que gostava de música e danças. Infelizmente já mostrava traços de leviandade, não conseguindo aprender nada além do que apreciava.
"She is more intelligent than is generally supposed, unfortunately, she has not been trained to concentrate in any way, nor I feel that it's well within her power to do so."
Maria Antonieta era vivaz e charmosa. Sua aptidão para a música encanta todos ao seu redor, mas o fato de ser Austríaca e incapaz de conquistar seu próprio marido torna-a alvo de críticas ferrenhas. A distância de Viena passa a causar-lhe saudade, a corte hostil afasta-a do calor que esperara receber. Não havia um momento sequer em que tivesse privacidade, toda a sua vida era como um espetáculo a ser admirado pelos outros e isso chocou-a enormemente.
Já rainha, Maria Antonieta decide por jogar-se na vida noturna. Raramente abria um livro e, ao contrário de seu marido, não costumava pensar muito sobre as coisas. Deleita-se com os jogos, festas, óperas e bailes. Um dos historiadores chega a dizer que ela era uma jovem com um "cartão de crédito ilimitado".
"What does my mother want? I'm terrified by being bored. I must have some distraction and I can find it only in christian amusements." (M. Antonieta)
Seu casamento não ia bem, 4 anos juntos e a consumação ainda não havia chegado. José II vem de Viena tratar do assunto que agora tornava-se questão de estado, afinal, toda a Paris comentava de sua situação, insinuando a presença de amantes em seus aposentos. Anos mais tarde, após o nascimento de seus filhos, Maria Antonieta passa a se refugiar no palácio que recebera de presente de seu marido: o Petit Trianon. Era uma mulher carinhosa, materna, preocupada com a educação dessas crianças. Passa a vestir roupas leves e brancas. O retorno à natureza estava na moda.
Em sua vida privada no petit Trianon, fora acusada de festas e orgias inimagináveis e, como mantinha-se isolada da corte, foi muito fácil que esses boatos logo se espalhassem por Versalhes e ruas de Paris. O povo começa a inquietar-se com sua figura e logo transforma-a na representação de todos os excessos de uma rainha. Panfletos são espalhados pela cidade com representações devastantes, mas a rainha apenas ignorou, acreditando que não seria nada demais.
Esse descuido fez que com não tivesse credibilidade nenhuma quando tentou desmentir seu envolvimento no caso do colar de diamantes. Os panfletos tornavam-se cada vez mais ameaçadores, exibindo imagens da rainha desnuda em seus jogos de luxúria. Diz-se que esta não fazia idéia de sua posição e quando se fez consciente, tratou de correr atrás de mudanças.
Diminuiu gastos, passou a se preocupar menos com seu próprio prazer. Passa a atender aos encontros do governo, mas sua inexperiência apenas agrava a situação. O poder real era seu por direito e disso ela tirava a certeza de que jamais deveria dividi-lo com alguem, quem diria com o terceiro estado. Sua recusa em aceitar a revolução e os direitos exigidos fez com que o povo acreditasse que essa mulher queria, na verdade, tomar o poder para si. O medo de terrem um mulher no poder, uma mulher estrangeira e vulgar como Maria Antonieta, fez com que as criticas e a resistencia de agravassem. Mas a rainha, tão orgulhosa, decide lutar contra essas atrocidades. Arranja um conselho secreto e reúne-se a fim de discutir questões do estado. Aprende a ler e escrever em códigos, tendo pela primeira vez que dedicar-se a algo com seriedade. Finalmente, Maria Antonieta passa a perceber que tipo de pessoa ela era realmente e se 'decepciona com o que encontra.
"Tribulation first makes you realize who you are"
Seu consolo neste momento foi Axel Fersen, quem se esforçava pelo bem da monarca. Era nele que encontrava forças para continuar a resistencia e logo planeja a fuga de sua família em direção a Viena. A fuga falha e são descobertos em uma pequena cidade próxim
à borda francesa. Agora prisioneira, volta-se exclusivamente para o cuidado dos filhos. Após a morte do marido e separação de seu filho mais novo, é levada aos tribunais e se mostra uma mulher extremamente inteligente nas respostas, assinalando uma evolução assustadora em sua personalidade. Não haviam provas de sua traição com relação ao estado e ela soube mascarar isso muito bem, mesmo que anos mais tarde fosse provado que houve de fato traição de sua parte. Permaneceu orgulhosa até o momento em que fora guilhotinada, morrendo definitivamente como uma rainha.
Essa maneira trágica de terminar sua jornada fez com que uma lenda crescece ao redor de seu nome, torna-se um mito por haver sido uma mulher frívola e se transformado de uma maneira rara para a maioria dos homens.
sábado, 8 de outubro de 2011
Maria Antonieta (Filmes e Documentário) [Laura Ribeiro] #2 (2006)
Seguindo a última postagem, sobre o filme "Maria Antonieta" de 1938, volto-me agora para o segundo elemento dessa série: O Filme dirigido por Sofia Coppola na versão mais "Atualizada" da rainha da França.
Dessa vez temos uma Maria Antonieta interpretada por Kirsten Dunst, outra escolha bem elaborada. Com traços finos e incontestavelmente delicados, ela traz uma Rainha muito mais princesa do que podíamos esperar. É quase uma patricinha em plena França pré-revolução. Não preciso comentar dos cenários fabulosos e de toda a pompa exposta em cada cena, imagino. É tanto outro, tanta jóia que somos obrigados a pausar o filme em alguns momento a fim de explorar tudo o que o cenário pode nos oferecer. A visão desta vez é subjetiva. Constantemente dividimos os medos e angústias de Maria através de suas próprias impressões. O filme é riqúissimo, sem dúvidas. E atento a detalhes que me fizeram apaixonar ainda mais pela narrativa. Eu arriscaria dizer que a autora inspirou-se no livro de Stefan Zweig, tamanho o cuidado que teve com a sequência dos fatos.
Ao receber a notícia de que seria enviada para a França, Maria Antonieta parece angustiada com isso. É espontânea e seus sentimentos estão sempre estampados em seu rosto de menina. O abraço em Madame de Noailles já traduz toda o desleixo da futura delfina com relação à etiqueta que deveria ter dominado enquanto esteve em Viena.
Logo em solo Francês, comporta-se com graça e encanto. A insegurança ao encontrar Luís XVI e no momento em que caminha em direção ao palácio por entre um corredor de pessoas é uma traço marcante da menina que chega naquele país completamente estranho.
A curiosidade e deslumbre com cada detalhe de dentro dos cômodos é notável. Seus olhos infantis correm por cada canto da cena, sorri para os empregados, cumprimenta as pessoas à sua volta. A inclinação para a apreciação do belo já traz os sinais logo que entra em seu quarto. Brinca com um leque francês e ao observar o jardim abre um sorriso largo. Não há como não se apaixonar pelas pompas de Versalhes!
O filme certamente pretende conquistar as garotas. Assim que Maria acorda de sua primeira não-noite-de-núpcias em Versalhes, recebe uma (literalmente) aula de como se portar como uma verdadeira delfina. O ar desconfortável que paira entre ela e seu marido é marcado por silêncios longos e respostas curtas demais. Logo vemos DuBarry entrar em cena e nada mais é do que uma mulher infinitamente vulgar. Lambe os dedos na mesa, esfrega-se no rei enquanto come e como se não bastasse, ousa arrotar na frente de todos! Mas isso não corta o ar sensual que inspira em Maria. Ao receber o primeiro sermão de Merci (e receber a carta de sua mãe) observa-se no espelho, curiosa com essa sensualidade ainda não explorada. Infelizmente não tem sucesso nas investidas contra o marido desatento, e o caso torna-se um desafio para a teimosa Austríaca. Voltando na mulher Du Barry, Maria é constantemente alvo de seus ataques provocativos.
E claro, les Mesdames (as irmãs encalhadas do rei) não poderiam deixar de aparecer no cenário. Elas, como devem imaginar, são tão venenosas quanto qualquer outro nobre em Versalhes e não perderão a oportunidade de influenciar a já orgulhosa Antonieta.
O filme é lento, mas daí vemos os passos com que as coisas realmente acontecem em Versalhes. Luís constrói sua admiração pela esposa à medida em que essa ganha mais segurança e brilho dentro da corte. A inquietação pela falta do herdeiro cresce dentro da própria Maria Antonieta, a pressão da mãe traduz-se em cartas insinuantes, os boatos espalham e Polignac surge para confundir tudo o que ia nos bons trilhos. Para suprimir esse vazio, nada melhor que... compras! No estilo mais nobre, é claro. Maria Antonieta investe em sapatos, leques, vestidos, fitas, jóias, bordados, doces... enfim, um exagero na proporção de sua dor.
O problema só é "resolvido" com a conversa de seu irmão José II, que estimula o ainda casto Luís. Daí, do nascimento de sua primeira filha, Maria Antonieta muda um pouco seu estilo.
Ganha o Petit Triànon do marido e toma gosto pelo simples, rural. Claro, que de maneira superficial apenas. Constrói no pequeno palácio um verdadeiro teatro vivo, com camponeses e animais de verdade. Toma gosto pela leitura (Está a ler Rousseau!)
Mas nunca Versalhes pode ficar em paz. Eis que com o retorno dos soldados dos Estados Unidos, temos também... Hans Axel von Fersen! A paixão entre o oficial e a rainha cresce rápido e logo envolvem-se num caso extraconjungal.
Mas como todo romance militar, Von Fersen deve partir, deixando para Antonieta apenas um vazio inquietante.
Maria reassume sua posição de Mãe e Rainha. Cada vez mais próxima dos filhos, observa os boatos a seu respeito crescerem e trata com desdém esse fato. Ao saber da invasão da Bastilha e aproximação da revolução, estata que seu lugar é ao lado do rei e que não fugirá como os outros nobres. O filme é muito suave com o destino dessa mulher e interrompe a narrativa em sua fuga para Viena. Que todos sabemos ter sido mal sucedida.
Por fim, eu diria que esse filme tem mais de Gossip Girls do que podemos imaginar. Vejo Blair transparecer em Madame de Polignac, a maneira com que as roupas e o consumo é tratado não permite que eu me distancie dessa comparação. As músicas modernas, as jovens deleitando-se com jogos e badalações... Paris é a atual Nova York do seriado para adolescentes. Temos bebidas, drogas (ah sim, ela traga um caximbo!), traições e competição por status.
Maria Antonieta, sempre tão desligada dos costumes e regras, cresce conquistando todos ao seu redor. É facilmente influenciável e levada pelo orgulho. Suas compras e ostentação justificam-se pelo vazio que cresce dentro de si, mas não deixa de ser uma boa esposa, uma boa mãe. Termina com honra, não abandonando o posto que lhe fora praticamente comprado com um casamento. É uma pena que o filme não mostre casos como o do Colar, a situação de De la Motte e Rohan e as consequencias diretas dos gastos exorbitantes da coroa. Claro que não foi esse o objetivo de Sofia Coppola, isto está evidente em cada um dos infinitos acessórios reproduzidos junto dos doces e cores suaves. Aqui Maria Antonieta é como qualquer adolescente, sofre de paixão e pressão da sociedade. Compra para se justificar e diverte-se com seus amigos. Enfim, mais uma faceta para essa mulher.
Claro, não posso deixar de postar o trailer:
E minha parte favorita, todos os 80 vestidos usados por Maria Antonieta no filme:
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